sexta-feira, dezembro 15, 2006

Mercados de imigrantes (2)

Vou continuar de onde eu parei no último post. Estava na rua certa, na Hämeentie, e procurava os mercados de imigrantes.
O primeiro que encontrei foi um mercado indiano que vendia produtos africanos. Ele fica na rua Hakaniemen torikatu, uma transversal da Hämeentie, perto do mercadão. Entrei e olhei tudo minuciosamente, dava para fazer isso pois o lugar era bem pequeno. Não era muito variado, mas encontrei folha de louro. Em nenhum supermercado perto de minha casa tinha folha de louro, procurei bastante, mas acho que não é um tempero comum da comida filandesa. Comprei um saquinho. Agora sim meu feijão vai ficar bom!
Na saída perguntei "Do you have dendê oil?", o cara me olhou desconfiado e repetiu "dende oil?", falando assim mesmo sem acento e todo esquisito, pensei "ele não sabe o que é ou eu estou falando errado". Como meu inglês não é muito confiável fiquei com a segunda opção. Ele respondeu que não. Não sei se dava para acreditar nele, coitado, não tinha a mínima idéia que essa maluca estava falando, de qualquer jeito como eu disse no início eu olhei minuciosamente e na seção de óleos não vi nada parecido com dendê. Segui minha caminhada pela rua Hämeentie, vi um mercado japonês/chinês, não consegui identificar qual era a sua nacionalidade, só dava para saber que era oriental. O nome dele é Vii-Voan. Como não estava interessada nos produtos desse tipo de mercado, deixei ele por último. Continuei minha caminhada. Encontrei um mercado tailandês (ou será indiano?) chamado Maharaja. Esse mercado era maior que o primeiro e era mais variado também. Encontrei leite ninho, farinha de tapioca (aquela com bolinhas), aipim, banana da terra, leite condensado, entre outros produtos específicos da cozinha deles. Vi uma garrafa que continha um líquido alaranjado e espesso, me perguntei "é óleo de dendê?", olhei a garrafa cuidadosamente e para acabar com as minhas dúvidas, no rótulo tinha uma foto de um cacho de dendê. Sim, era dendê! Foi assim que descobri que óleo de dendê é a mesma coisa que óleo de palma. Então, eu estava certa, perguntei errado para o cara do mercado indiano, deveria ter dito "Do you have palm oil?" e não "Do you have dendê oil?". Fica para próxima vez que eu voltar lá.
Saí do Maharaja satisfeita, comprei 1Kg de aipim, 1 garrafa de dendê (eu achei a garrafa cara, foi €5, mas como vou usar só de vez em quando, valeu o investimento) e 1 lata de leite condensado. Não encontrei aipim nos supermercados e nem nas feiras. Agora já sei onde encontrá-lo. Leite condensado também não tinha nos supermercados, sabe-se lá porquê.
Quando saí do Maharaja e dei o primeiro passo na rua, senti a chuva batendo no meu rosto, o vento trazia mais chuva e ajudava a me molhar ainda mais. Se não fosse esse vento, estava tranqüilo ficar na rua. Passei no Vii-Voan bem rapidinho, não comprei nada, mas agora já sei onde encontrar ingredientes para fazer qualquer tipo de comida chinesa.
Como já disse estava muito ruim ficar na rua, fui direto para casa. Coloquei €3,60 na máquina para receber meu ticket e fui pegar o metrô. Na estação do Kamppi, uma estação antes da Ruoholahti, a estação que eu iria saltar, entraram os fiscais do metrô no vagão que eu estava, tinha mais fiscais do que passageiros. Pediram para cada passageiro o cartão ou o ticket. Eu prontamente peguei o meu ticket e mostrei para a fiscal. Ela leu e deu um sorriso. Tudo certo, ainda bem!
As pessoas que tinham cartão passavam na máquina que os fiscais traziam nas mãos. Essa máquina conferia se a pessoa tinha registrado sua passagem antes de entrar no metrô.
Chegou na minha estação, desci e fui direto pegar meu ônibus para casa. Usei o mesmo ticket do metrô no ônibus. Antes de ir para casa, passei no supermercado e comprei 2 litros de leite e um saco de pão. Enfim, cheguei em casa cansada e com os braços já doloridos de levar aquela sacola pesada.
Fiquei feliz e orgulhosa de mim por ter conseguido passar um dia sozinha, pegando metrô, falando inglês (meio bizarro mas falei) e comprando coisas novas para casa.
Foi um dia bom!

6 comentários:

vinnie disse...

Kerol, da próxima vez que for lá no indiano pergunte por Palm Oil. Se ele fizer cara de numsei-que-ce-ta-falando vc desabafa logo: é pra fazer acarajé abestalhado!

Teea disse...

É verdade o que Vinnie disse... também comprei dendê em Portugal e tive que procurar "óleo de palma". Mas pelo visto você já resolveu o problema ;)

Obrigada pelos comentários no meu blog! Claro que foi brincadeira falar do Papai Noel finlandês tomando água de côco, mas imagine só!! Sei onde fica Itaparica (até expliquei em finlandês no meu blog), mas ainda não deu para eu ir, nem sei se vou agora em janeiro.

Adoro Maria Rita, mas as outras duas cantoras conheço pior.

Quais são os seus planos para este final de semana? Algum passeio talvez, ou festas...?

Beijinhos, Teea

Cécile disse...

Oi Carol!

Sempre que leio seu blog, fico aqui admirando sua coragem. Realmente, não deve dar muito ânimo sair sozinha por aí. E é muito legal ver que vc está conseguindo se adaptar tão rápido.

Que bom que vc encontrou os ingredientes daqui. Com o leite condensado, eu sairia correndo para fazer brigadeiro! ;-)

Bjosss

Eulina Lordelo disse...

Beleza, Carol! Sempre tem uma descoberta nova a ser feita. É um longo aprendizado mas o importante é que você já está no caminho.
Beijos. E olha, nas lojas africanas e asiáticas tem camarão seco, dá pra fazer até vatapá, tudo bem, não é aquele vatapá baiano mas fica parecido e parecido já é bom. Beijos.

Carlinha disse...

Oi Ca,

Sinto que vocês ficarão assiduos desse mercado :)

Fiquei orgulhosa em ver que voce está saindo sozinha! :)

Beijos com saudades,
Carlinha

Wagner Saback Dantas disse...

Ê orgulho da pêga! :-D Rapabéns, rapaz!

Adorei a jornada, que já valia o relato, e mais ainda o resultado: "óleo de palma". De palma? Eu nem sabia, viu...

Falando em óleo, tem uma tal de moqueca de peixe que eu fiz aqui recentemente pra minha namorada... Hum... ;-)

Vamo que vamo,
Saback.
(BR, SC, Fpolis, 20.12.2006, 10h14 - horário brasileiro de verão)