quarta-feira, maio 16, 2007

Viagem para Talin (1)

Na sexta-feira passada eu e Lu convidamos Cássio e Patrícia para comer umas pizzas aqui em casa. Foi tudo muito bom, conversamos um bocado, rimos muito como sempre. Eles são muito divertidos. Comemos pizzas e tomamos vinho. Para sobremesa bati uma caixinha de creme de leite fresco, que depois de muito batido virou um creme delicioso e colocamos-no em cima de alguns morangos cortadinhos. Ficou muito bom, sobremesa simples e muito boa! Esse tipo de creme de leite é muito comum por aqui, os mercados vendem vários tipos de creme de leite, um para usar no comida (com diversas porcentagens de gordura), outro para bater (e virar creme) e outro para colocar no café. Não sei se consegui lembrar de todos. Mesmo com tanta variedade nada se compara ao creme de leite que usamos na comida aí no Brasil, o creme de leite daí é mais consistente do que os daqui. Os cremes de leite daqui não são ruins, só são aguados, até agora estamos conseguindo viver com eles. :) Enfim, foi um jantar maravilhoso.


Cássio e Lu


Patrícia


No dia seguinte (sábado) bem cedinho, às 5h30 eu e Lu já estávamos acordados. Tínhamos que pegar o ônibus às 6h30 para o porto. Às 7h, chegamos no porto, trocamos alguns euros por kroon (moeda da Estônia 1€ = 15EEK) e pegamos as passagens de navio para Talin. Ficamos lá mofando até 8h. Entramos no navio às 8h. Antes de entrar no navio, todo mundo precisa mostrar os seus passaportes, já que estamos indo para outro país e não para Ilha de Itaparica. Quando era a vez de um europeu, ele passava rapidinho pelo guichê, mas quando chegou a nossa vez, demorava um pouco mais, eles olhavam o passaporte de cima a baixo. Sei que isso é o correto, mas por que olhar todas as páginas do meu passaporte até as páginas vazias? Não entendi. De qualquer jeito nós entramos sem problemas, carimbaram o nosso passaporte e seguimos a nossa viagem. O navio só partiu às 8h30. Foi um pouco cansativo. Lu dormiu um pouco durante a viagem mas eu não consegui. Ficamos a viagem inteira sentados. Como a viagem é curta (2h de duração) não precisávamos comprar uma cabine, muita gente fez a mesma coisa. O salão estava lotado de gente com suas malas conversando, bebendo e bebendo. Tinha um casal do nosso lado que bebeu 3 copões de cerveja cada um, cada copão devia ter 500 ou 600ml. Tão cedo e já estavam bebendo. Sem contar as outras pessoas que estavam bebendo conhaque, vodka e outros drinques que não identifiquei. Nós não bebemos nada, primeiro que não gostamos tanto de beber e quando bebemos está de noite. A maioria das pessoas levavam malas vazias, a intenção é levar a mala vazia e voltar com muita bebida de Talin. Lá as bebidas são mais baratas para os finlandeses. Quando não eram malas vazias, eles levavam um carrinho para trazer caixas e mais caixas de bebidas. Que programa mais doido, né? Não estou acostumada com isso, sempre morei em lugares que não eram fronteira com outros países. Provavelmente, isso deve acontecer na fronteira do Brasil também, não só com bebidas, como também comida, aparelhos eletrônicos entre outras coisas. Dizem que Talin é o quintal da Finlândia, os finlandeses sempre quando podem vão lá comprar bebidas e passear, no mesmo dia a noite eles voltam para Helsinki. Viajar para outro país e voltar no mesmo dia, é tão estranho para mim e para Lu. Viagens como essa com duração de 2h nos levavam para algum interior da Bahia e não para outro país com outra cultura, com outra história, com outra moeda. Muito doido! Isso é muito comum por aqui, já que os países estão muito próximos uns dos outros.


Lu no navio indo para Talin


Fugi um pouco do assunto, continuando... Chegamos em Talin às 10h30, saímos do navio e pegamos um ônibus do navio para o terminal. Saímos do ônibus e subimos uma escada para o terminal. Andamos tanto que Lu dizia que a viagem tinha um acréscimo de meia hora só de caminhada. Chegamos no terminal, eles viram nossos passaportes novamente. Demorou também, porque eles anotaram os nossos números do passaporte mas pelo menos não viram todas as folhas do meu passaporte.
Depois disso fomos no ponto de informação para turistas perguntar qual ônibus nós podíamos pegar para chegar no nosso hotel. Ela disse o número do ônibus e lá fomos nós andando, andando sem saber para onde. Até que resolvemos voltar e perguntar onde era o ponto do tal ônibus. Devíamos ter feito isso antes, às vezes somos muito desligados. Depois de perguntar e saber onde era o ponto, fomos para o lugar indicado e esperamos mais ou menos 30min no vento. Não foi muito agradável. Pegamos o ônibus, a viagem para o hotel deve ter demorado menos de 10 min, se nós soubéssemos que era tão perto, tínhamos ido andando ao invés de ficarmos esperando 30min o ônibus. Pelo menos o ônibus parou na frente do hotel. Mais ou menos às 12h, chegamos no hotel, no entanto só podíamos fazer o check-in depois das 15h. Deixamos uma mochila lá e fomos conhecer a Cidade Antiga de Talin.
Enquanto nós caminhávamos, notamos que Talin não é uma cidade tão rica, pelo menos nessa região que nós andamos. Tinha muitos idosos pedindo dinheiro na rua, não vimos nenhuma criança, ainda bem. Deu para perceber que a cidade também não é bem cuidada, mas ao mesmo tempo existem lugares muito bonitos.
Entramos na cidade e fomos comer alguma besteira no Mc'Donalds. Depois disso, pegamos o mapa e começamos a nosso tour.


Eu na entrada da Cidade Antiga de Talin


Uma das torres da entrada


Vista da rua Viro (na entrada da cidade)


Um pouco de história. Antigamente, a baía de Talin era muito conveniente para os barcos vikings que contribuíram para o crescimento de Talin. O primeiro registro de Talin foi em 1154. O nome "Talin" veio de "taani linnus" ou Castelo Dinamarquês que foi construído para o rei Valdemar II da Dinamarca. Ele chegou em 1219 em Talin e com isso, os estônianos perderam a sua independência. Depois de setes séculos, Talin pertenceu a dinamarqueses, alemães, suecos e russos. A Estônia reconquistou a sua independência em 1991. Tão recente!
A cidade se desenvolveu muito no período medieval e até hoje existem muitas construções daquele período. Por exemplo, a muralha que protegia a cidade. Essa muralha foi construída pela primeira vez no séc. XIII e com o passar dos tempos ela teve que se adaptar ao rápido desenvolvimento das armas. As partes da muralha que ainda estão na cidade foram construídas no séc. XV. Em meados do séc. XVI Talin era a cidade mais fortificada da Europa, tinha um total de 66 torres, sendo que 26 resistem até hoje. Em 1997, a UNESCO reconheceu Talin como monumento histórico da arquitetura hanseática. Hansa foi uma aliança de cidades mercantis que mantiveram o monopólio comercial de todo o norte da Europa e Báltico, entre os sec. XIII e XVII.
Depois desse resumão, vou continuar o post. Vimos muitas igrejas, muros e torres. No primeiro dia conhecemos metade da cidade, vimos a praça da cidade e conhecemos a farmácia que funciona desde 1582 até hoje. Andamos, andamos e andamos muito.


Praça da Cidade Antiga de Talin


Lu na frente da farmácia


Um dos muros da cidade


Uma das igrejas da cidade


Decidimos voltar ao hotel para fazer o check-in, tomar banho e descansar os pés um pouquinho. Saímos do hotel às 18h e voltamos para jantar na Cidade Velha. Jantamos no restaurante Olde Hansa.
Quando entramos no restaurante tinha uma bandinha tocando uns instrumentais bem medievais, sem caixa de som, só com o som ambiente. Parecia que tínhamos voltado no tempo. Todas pessoas que nos atendiam estavam vestidas como nos tempos medievais. O lugar é impressionante, todo iluminado a vela, a decoração é toda medieval, os copos, o menu, as bebidas, as comidas, tudo é medieval. Ficamos apaixonados pelo lugar. O impressionante que esse restaurante não é o mais caro da cidade antiga. Gostamos muito mesmo!
Quando sentamos na mesa, a garçonete medieval nos explicou como eram os pratos, muito exóticos para nós. Antes da comida chegar ela nos perguntou se tínhamos trazido nossas armas (hã?), Lu respondeu que não, ela explicou que muitos clientes trazem suas armas de casa (hã?), por isso ela preferiu perguntar primeiro. Depois ela completou, "ok, como vocês não trouxeram suas armas, então vocês vão comer com as mãos?" (hã?), Lu respondeu todo sem graça, que não. Eu não estava entendendo muito bem a conversa, mas percebi a cara que Lu fez (hihihihi). Ela sorriu e disse "tudo bem, nós podemos emprestar para vocês as nossas armas" e deixou em cima da mesa os talheres e guardanapos. Depois que os pratos chegaram ela explicou cada prato novamente e disse para eu ter cuidado que poderia ter algumas pedras no meu prato, eu sorri, não entendi o que ela tinha falado, como Lu sorriu, eu sorri também. Depois que ela saiu, perguntei para Lu o que ela tinha dito e aí pude rir sabendo o que tinha acontecido realmente. Quando entregaram a conta para gente, estava escrito no papel que podíamos pagar com algumas moedas ou pele de coelho. Nós não tínhamos nem uma coisa nem outra, pagamos com cartão crédito mesmo, uma invenção nem um pouco medieval mas eles aceitaram numa boa.


Entrada do Restaurante Olde Hansa


Dentro do Olde Hansa


Eu no Olde Hansa


Copos do Olde Hansa (um é de barro e
outro é de vidro verde, está na frente da vela)



Depois dessa volta ao passado, nós voltamos para o hotel e assistimos na televisão a final do Eurovision. Em outro post eu explico o que é o Eurovision, acho que já escrevi de mais. Outro dia continuo contando como foi o segundo (e último) dia em Talin.

9 comentários:

Mauricio Vieira disse...

engraçado e divertido. imagino que as pessoas devem gostar de trabalhar num restaurante destes, falando estas coisas absurdas, pra manter um clima de 'idade média'. hehehe

responde na outra postagem como é a língua estoniana, e se você tentou falar em finlandes alguma coisa, com nativos. ouvi dizer que os estonianos falam finlandes, mas não o contrário (por causa das relações economicas, quem tem dinheiro, manda)

Maria de salete disse...

Carol, que vontade de conhecer Talin! O post está gostoso, e as fotos estão boas... Lu está lindo, vc linda.
Hoje fiquei sabendo que a representante do UNICEF em um país da america latina é finlandesa. Amanhã vou buscar mais informações e te conto.
Um beijo, obrigada pela lição estoniana.

Yupanqui disse...

So tenho uma coisa a dizer.... "DE VOLTA AOS TEMPOS MEDIEVAIS!!!!!"

beijos e abraços pros dois

Lord Punk
P.S. Preciso ir para lugar e me reencontrar hihihihi

rhaonis disse...

Que legal Carol, vc acredita que ainda não fui pra Tallin?! Não tivemos tempo juntos, o tempo que tivemos aproveitamos pra ir pra um lugar mais quente (Espanha).

Hehehe, preciso ir, vou agora no verão, que não tenho mais aula.

Mas legal saber um pouco mais de lá pelo seu post, história muito bem contada.

:) Bom final de semana!

Ale disse...

Olá
Qdo estive em Talin, acho que almocei neste mesmo restaurante. Lembro-me de ter pedido pão de alho jamais imaginando que serviriam o pão com os dentes de alho do lado. Comi somente o pão né, pois alho puro não dá.
Abracos Alethéa

Vinicius disse...

Putz... gostaria de provar cervejas medievais. Gostei das piadas da garçonete. Armas foi foda... Tinha gente lá comendo com as mãos? Fico feliz de ver que vcs estão mais do que nunca aproveitando essa vida aí na Finlândia!
Beijos e saudades!

Wagner Saback Dantas disse...

Oi, Cá,

Leitura nas entrelinhas:

a. Como a viagem é curta (2h de duração) não precisávamos comprar uma cabine, muita gente fez a mesma coisa.

Você acha 2h curto? Preciso pegar mais ônibus por aqui... (moro a 10 minutos -- no máximo -- da universidade, quase não pego ônibus em Fpolis);

b. Tinha um casal do nosso lado que bebeu 3 copões de cerveja cada um, cada copão devia ter 500 ou 600ml. Tão cedo e já estavam bebendo.

Fantástica esta parte. O seu espanto é de levantar o sorriso!

c. Viagens como essa com duração de 2h nos levavam para algum interior da Bahia e não para outro país com outra cultura, com outra história, com outra moeda. Muito doido!

Nunca passei por uma dessas, mas suponho que seja demasiado estranho "cair" em um país em um viagem tão curta (epa, eu falei anteriormente que 2h era longo, não? Ah, esquece!)...

d. Esta foto é incrível: você, na porta da antiga cidade de Talin, e, nas suas costas, um letreiro do Mc Donalds! Medieval versus ultra-contemporâneo, tão próximos. E é endêmico: tem Mc Donalds em tudo que é canto do mundo!

e. A Estônia reconquistou a sua independência em 1991. Tão recente!

É, tempos de regime comunista... Como era o traslado da Finlândia para Estônia (URSS) nesta época? Alguma informação a respeito? Se puderem, por gentileza, as meninas finlandesas poderiam responder isto em um post para endossar a informação.

f. Depois dessa volta ao passado, nós voltamos para o hotel e assistimos na televisão a final do Eurovision.

Eurovision! Como foi? Eu queria assistir! :-D

Para terminar, o papo com a garçonete foi muito ilário! Eles (ao menos, no turismo) incorporam mesmo algumas condutas daquela época, hein? Que loucura!

Beijão para os dois e um bom final de semana para nós todos!

É isso,
W. - Fpolis, SC, BR, 18.05.2007, 19h25.

Carlinha disse...

Oi Cá,

Que maravilha de viagem hein? Muito bom mesmo!

Adorei também quando você comentou a experiência de morar em um lugar onde você vai para outro país quase no mesmo tempo que vamos pra Feira de Santana :)

Dependendo do dia e horário, você chega mais rápido em Talin do que eu na Ribeira :) rsrsrsrs Brincadeirinha!

Saudades amiga, sinto falta de vocês!

Beijos,
Carlinha

Teea disse...

Oi Carol,

Só agora estou lendo sobre a sua viagem.

Acho que é mesmo por turismo finlandês (quer dizer: turismo de comprar bebida) que me assusta em Tallin... fui poucas vezes e nunca a idéia foi a minha, nunca paguei a minha viagem, rs. Prefiro outra coisa :) mesmo que Tallin seja uma cidade linda (ou seja: tem alguns lugares bonitos). Acho que conhecendo melhor poderia entender melhor e gostar mais, talvez.

beijos,
Teea