sexta-feira, maio 18, 2007

Viagem para Talin (2)

Esqueci de comentar sobre as bebidas que pedimos no Olde Hansa e sobre a visita que fizemos ao monastério dominicano. Quando sentamos perguntaram o que iríamos beber. Eu e Lu olhamos rapidamente ao nosso redor e vimos que ninguém bebia refrigerante. Então resolvemos pedir alguma coisa da casa. Eu pedi uma cerveja preta e Lu pediu o vinho da casa. A cerveja tinha um gosto diferente, era cerveja com mel, esquisito mas gostoso. Não consegui beber tudo. E o vinho de Lu também tinha um gosto diferente, foi preparado com ervas. Sobre o monastério, no sábado, estávamos andando, andando, quando vimos um portão, estava aberto então entramos. Subimos uma escadinha e entramos em uma sala a luz de velas. Aí percebemos que estávamos em um monastério. Uma senhora gritou lá de dentro "Came on! Came on!". Ficamos encantados com o silêncio e com o lugar, no entanto... a velha (não é mais senhora) era muito, muito, muito mal humorada, não sei porque escolheram ela para ficar recebendo as pessoas no monastério, talvez hoje só ela cuida daquele lugar e só podia ser ela mesmo. Enfim, não teve um "good afternon", ela foi logo dizendo "one pay 30 kroon, but to you, 2 pay 30 kroon", nós ficamos sem graça de dizer que não, pagamos e ela em seguida falou rispidamente "first you go downstairs, and turn left and turn left and go upstairs, here, ok?", Lu fez uma cara de quem não entendeu, ela respirou fundo e começou a falar novamente. Olhamos tudo, tudo muito silencioso e escuro. Quando estávamos voltando para o andar de cima ouvimos a tal velha perguntando para três mulheres se elas tinham visitado tudo, a velha estava quase brigando com elas. Grossa! Saímos de lá, sem falar com ela, foi melhor assim, aquele mal-estar podia contagiar nosso passeio e estragar tudo.
Agora posso continuar a contar a viagem de onde eu parei no último post. No domingo nós acordamos às 9h30 e fomos tomar nosso café da manhã. Depois fomos visitar a outra metade da Cidade Antiga. Subimos a colina de Toompea e vimos o jardim do Rei Dinamarquês, tão bonito, tão bem cuidado. Antigamente, o "povão" de Talin morava no pé da colina de Toompea, perto do mercado. Toompea veio de catedral, em estoniano Toom. Nessa colina foi construída o Castelo Dinamarquês e a Catedral do Santo Alexandre Nevski. Com a chegada dos dinamarqueses, a colina de Toompea foi transformada em uma fortaleza. Na verdade tinha duas fortalezas, uma menor onde é o Castelo Dinamarquês e outra que protegia toda a colina. Desde 1920 que as sessões do Parlamento são realizadas nesse castelo. Essa catedral para mim é a mais bonita da Cidade Antiga. Eu não sou muito fã de visitar igreja, mas essa valeu à pena.


Subida para colina de Toompea


Jardim do Rei Dinamarquês


Eu na frente do jardim


Catedral do Santo Alexandre Nevski


Lu perto da catedral


Castelo de Toompea


Depois disso, descemos a colina e continuamos nosso passeio. Vimos mais igrejas, muros e torres. Uma estátua me chamou atenção. Ela fica no alto do prédio da Embaixada Russa. É uma estátua de um homem olhando as pessoas que passam pela rua. Quando você olha para ele parece que ele está te encarando com um sorrizinho maroto. Não sei se ele está pensando alguma besteira sobre as mulheres que passam na rua ou se ele está rindo de alguma coisa que alguém fez naquela rua. Não encontrei nenhuma explicação para terem construído essa estátua.


Estátua em cima da Embaixada Russa


Mais ou menos às 13h, terminamos o nosso passeio. Pensamos em ir no Museu Aberto de Talin, só que não encontramos o ponto de ônibus para o tal museu, enquanto andávamos começou a chuviscar, acho que mesmo se a gente tivesse ido não teria sido muito bom, pois depois do chuvisco caiu um pé d'água! Na hora que começou a chover pra valer, estávamos dentro do restaurante almoçando. :)
Na praça da Cidade Antiga tem um restaurante brasileiro, fomos lá dar uma espiadinha no menu, os pratos não me pareceram tão brasileiros e além disso, achamos o preço bem carinho.
Depois do almoço, parou de chover e fomos passear nas lojinhas de artesanatos, eu adoro, Lu não gosta muito mas me acompanhou. Compramos algumas coisinhas, nada muito especial, só para lembrar da cidade. Depois fomos tomar um café e comer uma torta em uma cafeteria de lá. Eu adoro os doces daqui, será esse motivo da minha bochecha ter crescido? Sei não, continuo comendo. Depois fomos para a praça ver o show do dia das mães. Bem bonitinho.


Café e bolinho (hummm!)


Show na praça


Depois pegamos nossas malas no hotel e fomos para o porto. Ficamos mofando lá umas 2h, não tínhamos mais nada pra fazer, por isso resolvemos ir logo para o porto e ficar fazendo hora por lá. Entramos no navio às 20h30. Todo mundo com suas malas repletas de cerveja, vodka e outras bebidas. Muitas pessoas bêbadas, degradante, mas enfim, é o programa deles, eu respeito com tanto que não incomode a gente. Chegamos em casa às 23h30, estávamos mortos de cansados.
Passei essa semana inteira tentanto me recuperar. Hoje me sinto melhor, dormi muito durante essa semana, consequentemente, não estudei nada de finlandês. Talvez esse fim de semana, quem sabe?
O estoniano é um idioma muito parecido com o finlandês, deve ser fácil para eles aprenderem finlandês. Como a maioria dos turistas de Talin são "turistas de um dia" (vão e voltam no mesmo dia para o seu país de origem) e acho que esses turistas são na sua maioria finlandeses, por isso é muito comum ouvir, ler e falar finlandês por lá. Na minha turma de finlandês tem uma estoniana, ela comentou comigo que da última vez que foi lá, só falou em finlandês. A influência da Finlândia em Talin é muito forte, não tenho certeza qual é o motivo disso, não sei se é por causa da diferença econômica, se é porque a Estônia é um país que conquistou sua independência recentemente e ainda está tentando se fortalecer como nação, se é porque para os finlandeses é muito rápido chegar lá, ou se é tudo isso junto, sei lá. Não conheço muito bem o país para saber ao certo o motivo. Valeu muito a pena conhecer essa cidade, nos sentimos "de volta aos tempos medievaaaaaaaais"!

6 comentários:

Mauricio Vieira disse...

Um finlandês de 16 anos me contou que um peão (worker) ganha 3x mais na construção de um prédio ou qualquer outro tipo de trabalho pesado, na Finlândia, do que na Estônia. Assim como o resto do mundo fala inglês (e em breve falará mandarim), aqueles 3 países entre a Rússia e a Finlândia ensinam o Finlandês a seus cidadãos. Já o Finlandês não se preocupa em falar estoniano ou lituano ou letão ;-)

Carlinha disse...

Oi Cá,

Queria ver mais fotos.. Dos castelos principalmente! Vocês puderam entrar? Se sim, conta como é dentro!

Apesar de cansativa, deve ter sido uma viagem maravilhosa hein? Espero ler mais relatos de viagens de vocês por aí!

Aproveitem!!

Beijos,
Carlinha

rhaonis disse...

A minha professora estava falando um pouco sobre essa influência. Há uma piada, finlandesa, que diz:

Havia um finlandes e um estoniano no navio para Tallin, ai eles bebados fizeram uma brincadeira e disseram que AMBOS jogariam o bem mais importante do país, o que fazia a econimia mais forte, na água. O finlandes tirou um Nokia do bolso e jogou em alto mar... O estoniano levantou o finlandes e jogou...

:P É como se Tallin fosse uma cidade finlandesa mais distante. Como se Sao Paulo fosse independente do Brasil.

Mas há suas diferencas, sim.

Pata disse...

Legal, a viagem parece ter sido ótima mesmo! Adorei a forma como vc contou tudo e ainda deu conta de fatos históricos! Muito bom!

Ah, obrigada pelos elogios lá no blog, a dona Iola agradece!

Bjs e boa semana!

Teea disse...

Também tenho de elogiar: você escreve e descreve coisas muito bem! Adoro ler essas historias!

Beijo grande,
Teea

ps. os doces de Portugal tb são para conhecer ;)

Maria de salete disse...

Carol, você nos faz viajar. Com vantagens (nossas bochechas não crescem com os doces que não comemos) e desvantagens (ao vivo é sempre melhor).
Beijos