domingo, novembro 12, 2006

Diferenças culturais

Se você algum dia pensar em visitar a Finlândia, lembre-se que ao entrar na casa de um finlandês tire o sapato. Mesmo que o chão da casa esteja frio, mesmo que você esteja com aquela sua meia de ursinho. Não tem acordo, tem que tirar. Eu e Lu já fazíamos isso lá em Salvador, nunca gostei de ficar em casa de sapato. Não sei o porquê de tirar o sapato por aqui, mas deve ser para não estragar o piso ou para não sujar a casa, já que o serviço de uma diarista é caro e, provavelmente, eles não estão afim de ficar só limpando o chão, existem outras coisas mais interessantes para fazer. Se por essas razões, concordo com eles e não usamos sapatos dentro de casa também. :)
Outra diferença que percebemos é que eles prezam muito pela coleta de lixo seletiva. Não sei se isso é geral na Europa, como eu só conheço a Finlândia e o meu referencial é o Brasil (Salvador), então já dá pra imaginar quanta diferença. Aqui existem pontos de coleta dentro de shoppings, é muito comum ver um finlandês levando o lixo para dar um "passeio" no shopping. Tem mais, se você for reciclar garrafas e latas, você recebe um cupom que vale uma graninha. Não dá pra ficar rico, é uma recompensa modesta. Já estamos juntando nossas garrafas de coca-cola e cerveja (2), depois eu conto quanto recebemos de grana no total.
Os finlandeses são muito calmos, silenciosos e falam baixo, é muito difícil encontrar um finlandês falando alto, mas caso você encontre, desconfie! Ele, provavelmente, deve ter bebido alguma. E por falar nisso, o alcoolismo é o problema social mais sério por aqui. Quando eles resolvem beber, é beber pra cair. Tem que tomar cuidado porque às vezes ficam violentos. Não existe beber socialmente, tomar "uma" ali no boteco? Acho muito difícil.
Estamos há poucos dias aqui, mas já presenciamos dois casos de pessoas quase caindo de tão bêbadas. As duas foi dentro do ônibus e nos dois casos, foram adolescentes. A primeira foi quando voltávamos para casa e tinha um cara sentado caindo para os lados, eu achei a princípio que ele estava drogado, mas era bebida mesmo. Numa dessas idas e vindas do cara, vimos que ele segurava uma garrafa de vidro e foi assim que tivemos a certeza que ele estava bêbado. Quando o ônibus já estava perto do nosso ponto, o cara que estava sentado do lado dele (não estava bêbado e nem era amigo do bêbado), o acordou, falou algumas coisas em finlandês e ele prontamente desceu do ônibus no mesmo ponto que a gente. Tomara que ele tenha encontrado a casa dele.
A segunda vez foi voltando do jantar na casa de Zara e Carlos. Tinha 2 finlandeses conversando alto e rindo muito no ônibus. Eu falei com Lu: "finlandeses animados!", Lu respondeu, "estão bêbados". Eu olhei de novo para os dois caras e repeti para Lu, "que nada, estão só animados". Quando um deles saiu do ônibus vi que realmente estava bêbado, ele quase caiu quando desceu do banco. Tive que concordar com Lu.
Em alguns lugares por aqui é proibido beber, eu não sei que lugares são esses, como eu não bebo, acho que vou demorar pra descobrir.
Lembrei uma coisa que nos incomodou muito no início, foi perceber como o atendimento é lento. Eles não te atendem enquanto não terminam de atender outro cliente, nem respondem uma simples pergunta, só dizem "wait". Estamos até nos acostumando com isso, não tem jeito, tem que esperar. Acho que estamos ficando tão calminhos quanto eles. :)
Desconfio que o desemprego não é um problema social para eles, existem muitos empregos que no Brasil com certeza existiriam, mas aqui não existem. Por exemplo, no IKEA não existe um cara para pegar a cama que você escolheu lá na loja. Na loja você recebe um papel com os números do corredor e do lote das peças de sua futura cama. Quando você termina de olhar tudo e escolher o que você vai comprar na loja, você se depara com um enorme galpão. Agora mãos a obra! Pegue seu carrinho e vá atrás de sua cama. A maioria das lojas e restaurantes pequenos adotam a filosofia faça você mesmo ou quando não é assim, a pessoa que te atende no caixa, é a pessoa que faz a comida, é a pessoa que limpa o restaurante e é a pessoa que serve. Será que um dia iremos ver isso no Brasil? Eu espero que sim, mas acho que vai demorar...
Duas coisas que eu vi e achei muito diferente do Brasil. Uma é que em qualquer lugar que você vai tem jornal, você pode pegar e não paga nada por ele. A segunda foi ver máquinas que tem jogos de sorte (aquelas que só tem em cassinos) em todo lugar, em bares, restaurantes e supermercados. É muito vício!
É muito difícil ver polícia, eu mesma só vi uma vez um carro de polícia e 2 seguranças no shopping, aqui é bastante seguro. É mais fácil te roubarem do que assaltarem. É muito seguro mesmo. Paloma me contou que um dia ela estava no shopping e viu um carrinho de bebê do lado de fora da loja com bebê dentro, a mãe deixou lá enquanto ela terminava de fazer compras. Imagine se ela fizer isso lá no Brasil?
Soube também por Paloma que as mães por aqui tem costume de deixar o bebê bem agasalhado fora de casa, dentro do carrinho, no frio mesmo. Tem doido pra tudo, dizem que o ar é mais puro e faz bem pro bebê.
E por falar em carrinho de bebê, é muito difícil ver bebê no colo, a maioria ficam no carrinho e nem choram, já estão acostumados. Os ônibus são preparados para os carrinhos de bebê, tem um lugar só para deixar o carrinho e para a mãe sentar. É equivalente ao lugar e a estrutura de elevador que temos no Brasil para as pessoas que usam cadeira de rodas e precisam do ônibus.
Outra diferença, os ônibus não tem cordinha, é só botão, tem botão em todos os lugares, você nem precisa levantar pra apertar que sempre tem um do seu lado.
É claro, não podia esquecer, a grande diferença: o clima. No começo da semana passada, nevou, ventou, choveu e fez muito frio, acho que chegou a -5 graus ou menos. Já perto do final da semana, fez um sol e ficou um pouco mais quente, de +2 graus a +3 graus. Já estamos até sentindo calor. :)
Todos os lugares são aquecidos (ônibus, shoppings, trens, metrôs, casas, lojas, restaurantes, tudo), o país é bem preparado, você só passa frio na rua. A umidade é muito baixa para nós que viemos de Salvador, nossa pele e boca ficam rachadas, temos que ficar cuidando todo o dia e também antes de sair pra rua.
Além de ter que aprender a passar creme todo dia, tive que aprender a olhar a etiqueta de roupa para saber a porcentagem de lã, algodão ou sintético, para não comprar roupa em vão. Aprendemos que a lã esquenta mais, o algodão mais ou menos e o sintético quase nada. Para esse período, disseram pra gente priorizar a lã e o algodão. Estamos seguindo as recomendações direitinho! :)
Acho que ainda iremos nos deparar com algumas diferenças e quando acontecer, vou contar com certeza!

10 comentários:

Charles disse...

"Tomara que ele tenha encontrado a casa dele."

Vê-se que o frio não afetou Kerol :) Continua a mesma! :)

Um beijo grande, e com saudades! :)

Lu disse...

Muito legal esses primeiros posts! Minha esposa é maravilhosa mesmo! Beijo Cá!

danuza disse...

Vc está descobrindo uma nova vocação aí heim...Vai virar escritora, já dá para escrever um livro :-). Adorei o blog!
bjos

Mônica Paz disse...

Acho que sempre que tiver novidade vou bater ponto por aqui. Sou blogueira e ainda com uma fonte dessas, digamos cultural, eu não posso perder srsrr

Adoro saber dessas diferenças culturais e quem sabe um dia eu passo por aí? Já estaria esperta :-)

Eulina Lordelo disse...

Oi, Carol:

Querida, é emocionante ler seu relato. Ele me lembra minhas próprias impressões quando cheguei na Noruega. Tudo parece muito semelhante: tirar os sapatos em casa, mão de obra escassa, serviço lento (acho que não é lento, Carol,o diferencial é que aí todo mundo obedece à fila, enquanto aqui, enquanto você está sendo atendido, a pessoa interrompe várias vezes para responder às perguntas de outras pessoas que não têm a paciência de esperar sua vez).

Estou feliz de ver como você já está começando a encontar gente e a fazer amizades. Vá em frente.
Ontem aqui foi aniversário de Lia e vieram vários amigos, mas ninguém da familia Almeida Rocha, até Aparecida preferiu ir para o aniversário de Clarice, que foi no mesmo horário.

Beijos para você e Lulu

Keilla disse...

Adorei o blog, só achei uma coisa estranha... Depois te digo o que foi...bjos

ValessioBrito disse...

rs, eu não ia me da muito bem ae.. tem que ser rapido e falar alto;
ei, sabe me dizer se lucas já tem email @nokia?? rs... heheh, beijossss.. :D

.ValessioBrito
ps: esta otimo seus primeiros posts.. :D

Livinha disse...

Cá, tive a mesma dúvida de keilla...hehehe ;)
Beijos com saudades!

Wagner Saback Dantas disse...

Oi, Cá!

O ponto de vista de Eulina é bem interessante. Assim como ela, acredito que talvez os atendentes aí não sejam lerdos, mas a paciência dos atendidos seja competente, digamos. Este outro enfoque é importante de ser ressaltado.

Outra coisa que percebi: o que Charles percebeu! (risos) "Tomara que ele tenha encontrado a casa dele.", algo muito sintomático de que, tal como Lu, a candura permanece, latente, com vocês por debaixo de tanta frieza do ambiente. Viva às roupas de lã! ;-)

Quando li este momento do seu texto:

"A umidade é muito baixa para nós que viemos de Salvador, nossa pele e boca ficam rachadas, temos que ficar cuidando todo o dia e também antes de sair pra rua."

pensei comigo: "caramba, por que não passam manteiga de cacau?!?!". Pergunta: e tem isto por aí? O fica só no creme hidratante mesmo?

Aliás, o seu texto, Cá, está estupendo (ei, Danuza, concordo consigo, surge, ao menos, uma cronista por cá!), pormenorizado o suficiente para o meu (nosso) deleite. E de uma preocupação humana - remetendo ao sensível olhar Charles mais uma vez - constante.

Este é apenas a primeira leitura. Ainda faltam mais 3 posts. Portanto, ainda não me despedirei. ;-)

Portanto, até o próximo comentário!
Wagner - Fpolis, SC, Brasil, 17.11.2006, 19h10 (horário de verão).

Carlinha disse...

Oi Cá! Adorei o post! Conta mais! Conta mais! É muito bom conhecer um pouquinho de outra cultura! Beijos com saudades!