domingo, novembro 19, 2006

Feijoada e vatapá

Ontem no sábado, acordamos tarde como sempre e fomos ver pela janela como estava o dia. Foi o dia mais feio que já vi desde quando chegamos aqui. Estava meio nublado, meio com neblina, parecia que o dia ainda não tinha amanhecido. Tenho saudade do solzão de Salvador, mas não sinto nenhuma saudade daquele calor infernal! Gosto mais do friozinho que estamos sentindo por aqui.



Na semana passada, Rosana convidou a gente para uma festa no sábado na casa dela. Ela queria encontrar com algumas pessoas antes de viajar para o Brasil. Essa foto acima foi tirada quando estávamos indo para o supermercado comprar 2 refrigerantes para levar pra festa.
Por falar em supermercado esqueci de mencionar no outro post uma categoria de emprego que não existe por aqui: os empacotadores. Você tem que colocar no saco o que você comprou, isso pode ser visto em qualquer loja, não só em supermercados. Você deve estar pensando mas se eu fizer aquela compra de mês, não vai atrapalhar? Não, não vai. Os finlandeses não empacotam as compras, eles pegam o carrinho e colocam tudo dentro sem saco ou se estão a pé, colocam tudo dentro de bolsas grandes que eles mesmo trouxeram de casa. As pessoas que tem carro levam as compras no carrinho até o bagageiro e colocam em cestas ou caixas de plásticos. Quando chegam em casa só é preciso levar as cestas, eu acho que deve ser mais fácil do que aqueles monte de sacos. No entanto existem sacos pláticos nos supermercados, você pode escolher qual você quiser. Existem 3 tipos de sacos: saco plástico menos resistente como aqueles que colocamos frutas e legumes, saco plástico mais resistente e um saco de papel. Os dois últimos você tem que pagar para usar. Quando a gente lembra, levamos nossa própria sacola de casa e recomendo: leve sua sacola de casa! Vocês podem fazer isso aí no Brasil também. Vamos lá meu povo, o meio ambiente agradece!
Outra coisa diferente que vi nos supermercados daqui é que você mesmo pesa seus legumes e frutas. Cada fruta e legume tem um número associado, você leva a fruta ou legume na balança e procura o respectivo número em um painel com vários outros números, aperta o botão com o número e logo depois sai o adesivo com o valor para você colar no saco. Acho meio atrasado em comparação aos supermercados que frequentava em Salvador, onde tudo era pesado no caixa. Assim não precisávamos fazer todo esse trabalho chato. Tomara que eles mudem logo, acho que vou lá mostrar essa mega solução soteropolitana, acho que vou ficar muito rica e quando isso acontecer vou no Brasil visitar todo mundo! :)
E ainda tem mais, para pegar o carrinho você vai naquelas fileiras de carrinhos, coloca 1€ ou 0,50€ (esse valor depende da loja e supermercado) em um buraquinho no carrinho. Eles ficam presos uns nos outros com uma pequena correntinha e quando você coloca essa moeda a corrente solta do carrinho. Isso é bom, porque força você a devolver o carrinho para a fileira e pegar o seu trocadinho de volta. A moeda sai quando você encaixa a correntinha de volta no buraquinho, só que para isso você precisa de outro carrinho. É assim que vai formando a fileira de carrinhos. Legal, né? Levem essa solução aí pro Brasil, vocês ficarão ricos e poderão vir nos visitar! :)
Depois de todos esses detalhes sobre os supermercados, vou voltar ao assunto desse post: a festa. Lá pelas 17h fomos de carona com Rogério, Paloma, Lucas e Bárbara para a casa de Rosana e Kari. Logo que entramos no carro sentimos aquele maravilhoso cheiro de pão de queijo, eles estavam levando para a festa. Que bom, quantas lembranças de Minas Gerais, de meu pai, da família de meu pai, da família de Lu, das roscas de canela que comia na casa de meus avós, da pamonha, do doce de leite... É muito bom quando algumas lembranças puxam outras. Que saudades!
Demoramos um pouco para chegar na casa de Rosana é um pouco distante da nossa. Logo que chegamos conhecemos Kari, Rosana e as filhas deles, Karolina e Katrina (acho que é com "K"). Eles foram muito acolhedores, foi muito bom conhecer novos brasileiros. Além deles, conhecemos também Andréa (de Manaus), o marido dela filandês e a Nick, filhinha deles, Denise (de Recife) e a filha dela Lavínia, Maria (de São Paulo) e seu marido finlandês e outra Maria (de São Paulo). Conheçam abaixo Rosana, Kari e Karolina.



Rosana preparou uma super refeição brasileira, tinha feijoada, vatapá do Norte (parecido com o vatapá que minha mãe faz), farofa e picanha, tudo uma delícia!



No final da festa, troquei telefones com todos que estavam na festa. Tomara que possamos algum dia reencontrá-los. Todos são muito alegres e calorosos, isso é raro de se ver e sentir por aqui.
É nesses momentos que percebemos o quanto sentimos falta dos nossos amigos e amigas que deixamos lá em Salvador. As relações por aqui são distantes e como diz Lu "são mornas", acho que vão demorar para se concretizarem.
Sei que qualquer início de amizade é assim, mas ainda é muito difícil pra gente encarar isso. Acho que uma parte dessa dificuldade vem de dentro da gente, pois acho que buscamos brasileiros nos europeus e eles não são brasileiros são europeus! São comportamentos e culturas bastante diferentes. Eu confesso, mesmo sabendo disso, ainda espero um dia encontrar uns europeus abrasileirados por aqui.
Hoje, domingo, fez sol de tarde, o dia estava mais bonito do que ontem. Mesmo assim, ficamos em casa vendo Smallville e CSI. Para o almoço, fizemos um risoto de brócolis, vejam na foto abaixo. Ficou muito saboroso, depois eu coloco a receita pra vocês, é bem fácil de fazer.



Risoto me faz lembrar de João (tio de Lu), ele sabe fazer risoto e fez pra gente no ano novo passado, ficava muito bom mesmo!
Agora vou lá no quarto acordar Lu, acho que ele dormiu enquanto eu escrevia.

8 comentários:

Anônimo disse...

Ca, vc está cada vez melhor nos seus spots!
Dá pra notar que muitos comportamentos finlandeses são gerados a partir de uma preocupação ambiental, que a gente tem pouco por aqui...
um biejo,
Salete

Mônica Paz disse...

Além da questão ambiental que não temso aqui , temos o lance do excesso de mão de obra que com isso acaba se tornando barata. Aí não é necessaio de invertir nessas "tecnologias"...
E isso tudo que você descreveu ajuda a adinatar a fila (eu odeio filas!!!)

Anônimo disse...

A pessoa vai pra a Finlândia comer vatapá e feijoada, é cada uma, hehehehehehehe...nesse fim de semana estamos nos virando aqui em casa com aquele macarrão ao molho de tomate puro que vocês comeram aqui antes de ir embora, lembra? Mas o clima, quanta diferença... fui até à praia hoje! Enquanto isso, aproveitem a sauninha de "sabores" de vocês...
beijos
Lia.

Eulina Lordelo disse...

Carol, o dia aqui hoje foi gloriosamente ensolarado, depois de mais uma semana de chuvas, e com calor, é claro. Com certeza o frio é mais gostoso, principalmente quando bater um sol forte e céu azul. Aí vai ser bom demais. Não perca as esperanças, a primavera se segue ao inverno. E eu li o comments já feitos. Depois de dois dias comendo macarrão, estou louca por uma carninha.
Ligue para as pessoas que vc. conheceu, querida, convide para um chá em casa. Beijos

Anônimo disse...

Pois é, Jona... Uma coisa interessante que ouvi do meu professor francês é que ele percebeu que as pessoas se comportam conforme o ambiente.

Ou seja, se um finlandês vier pro Brasil, logo vai perceber que todo mundo usa saco e mesmo sabendo que é errado, a tendÊncia é passar a fazer errado também. Uma prova simples é só imaginar casos de europeus que separavam lixo, mas viram que aqui não adiantaria nada... Então passaram a não separar.

É uma coisa da cultura. Eu particularmente me irrito MUITO quando vejo alguém jogar algum lixo pela janela do ônibus. Quando eu estou no ponto e a pessoa joga um papel, geralmente eu vou até o papel, pego e boto no bolso ou jogo no lixo, mas não falo nada. A pessoa percebe minha raiva, e acho que pode se conscientizar. Mas quando eu tou dentro do onibus, não tenho cara pra ir brigar com ninguém. É foda. A água potável no Brasil tá acabando por conta de nossa cultura. Não pensem que é sensacionalismo, é só assinar o RSS do UOL Ciencia que tem rolado muitas notícias alarmantes deste tipo.

A solução do carrinho é ótima, e tem a ver com a falta de pessoas desqualificadas para fazer trabalhos mais simples/fúteis como só carregar o carrinho. O mesmo acontece para empacotador. Creio que não "nunca" deve ter havido esta profissão em supermercado, porque aí não tem gente.

Isso é muito interessante, você pode observar como as questões de explosão demográfica e ecologia se relacionam ;).

Carlinha disse...

Oi Ca,
Quero a receita do risoto viu? :)

Fiquei feliz em ver que vocês encontraram um monte de brasileiros por aí! Espero que nasça uma bela amizade! (mas não se esqueça de mim :) )

Beijos com saudade!!!!
Carlinha

Mamae disse...

Oi Caca testando

Teea disse...

Quanto a pesar a fruta e legume nos supermercados, tenho medo que o costume não esteja mudando, pq aqui não tem muita cultura de serviço, como já sabe...

beijo, Teea